Amanhã começa a cerimônia do Oscar 2010 e todos já sabem quem é o favorito. Apesar de ser um remake de Pocahontas com aliens, Avatar promete ganhar nas principais categorias, pelo fato de ser um filme caro. Acho que é só por isso. Não tem nada de revolucionário em termos de roteiro ou construção de personagens. A parte da revolução fica por conta, é claro, das tecnologias usadas não apenas no filme normal, mas em sua versão 3D. Cada frame de Avatar levou 48 horas para ser trabalhado. Isso. Dois dias. E um segundo de filmagem tem 24 frames. Façam as contas. Não é de se impressionar que o filme levou 10 anos para ficar pronto.
A expectativa em torno de Avatar foi grande: por se tratar de uma superprodução, por ser o primeiro trabalho de James Cameron desde o mais bem sucedido filme da história, por demorar uma década para ser feito. Me ocorrem dois casos parecidos no cinema: Waterworld e Apocalypse Now. Apesar de Waterworld não possuir um diretor famoso como James Cameron, com certeza trata-se de um filme de orçamento gigantesco com um longo tempo de produção. Muito por causa de desastres nas filmagens, como a vez em que uma ilha artificial feita especialmente para o filme afundou, no maior fail da história do cinema, e foi necessário fazer outra. Apocalypse Now não difere muito: grandes gastos, problemas nas gravações, muita espera. Compartilha com Avatar a característica de ser dirigido por um grande diretor e com Waterworld os problemas de produção. A diferença é que Apocalypse Now foi um sucesso, e Waterworld naufragou nas bilheterias. Sem trocadilhos.
É certo que Avatar não é um fracasso, mas no futuro, quando seres azuis computadorizados fazendo acrobacias numa floresta computadorizada não impressionar mais ninguém, poderá acontecer de ele passar por uma reavaliação. Talvez chegue-se à conclusão de que os Na'vi não mereciam os prêmios que ganharam. Ou não? O fato de ser um marco tecnológico será o suficiente para mantê-lo relevante na história do cinema, como um daqueles clássicos indiscutíveis que não são mais questionados e apenas reverenciados pela revolução técnica? Você não pode dizer que Cidadão Kane é ruim, mesmo que no fundo ache que seja, pois logo um cinéfilo irá lembrá-lo que ele revolucionou a forma de se fazer cinema, enquanto aponta o dedo na sua cara. Avatar e suas tecnologias subiram o patamar e viraram um referencial para tudo o que virá agora, não na narrativa mas na forma de se experienciar um filme. Nesse aspecto, ele é mais importante do que o já citado e mais aclamado Apocalypse Now, e entra na mesma categoria de Cidadão Kane. Críticos de cinema, por mais que debochem do roteiro pouco criativo e da repetição de ideias, terão que se curvar às suas próprias regras e admiti-lo no panteão de filmes que moldaram a sétima arte. Estarão lá Cidadão Kane, E o Vento Levou, 2001: Uma Odisseia no Espaço e Avatar. Gostem ou não.
***
Disputando com Avatar pelo prêmio principal está Guerra ao Terror, o que é meio suspeito por duas razões: é um filme relativamente velho que não ganhou destaque no seu lançamento e é dirigido pela ex de Cameron. O tema Iraque, apesar de não estar em baixa, estava mais forte no lançamento do filme do que agora. Por que, então, um filme supostamente bom passou despercebido, a ponto de não ser lançado nos cinemas de diversos países? A bem da verdade, as críticas que tenho visto não são maravilhosas, reconhecem a qualidade do filme mas não o colocam no mesmo nível de alguns outros indicados. O que faz pensar que talvez essa coisa de Avatar versus Guerra ao Terror seja apenas para se aproveitar do fato dos diretores terem sido casados. Uma briga de casal para dar audiência é algo que faz sentido. O que não faz sentido é indicarem Amor Sem Escalas para Melhor Filme. Por cima do pano de fundo Crise Econômica, segue a fórmula de uma comédia romântica típica, como inúmeras outras que abarrotam os cinemas e atraem casais para as salas de exibição todos os fins de semana. É o filme mais fraco do diretor, o mesmo de Juno e Obrigado Por Fumar. Este último, na minha opinião, seu melhor filme, superior à Amor Sem Escalas e não mencionado no Oscar de seu ano. E a menina que faz o papel de coadjuvante é fraquíssima. Lembro que pensei ser a pior atuação que via em um bom tempo, e depois descobri que ela está concorrendo ao Oscar! É demais pra mim.
***
Sendo a disputa somente entre Avatar e Guerra ao Terror, e sendo só deles que se fala, não adiantou nada aumentar o número de indicados para Melhor Filme. Não se fala dos outros. Faltando um dia para a premiação, críticos de cinema são convidados para dar sua opinião sobre qual dos dois favoritos irá ganhar. Mas, quando perguntados sobre o seu favorito, a resposta é a mesma: Bastardos Inglórios. É, na opinião geral, o que deveria ganhar Melhor Filme, Diretor, Roteiro e o que mais tiver sido indicado, e não porque é revolucionário (até é), mas porque é muito bom. É bom demais. É muito melhor do que qualquer um dos outros dez indicados. Não tem tecnologia, não fala de um tema polêmico atual, é simplesmente mais prazeiroso de se assistir do que todos os outros. Faz brilhar os olhos de qualquer um que goste de filmes ou de uma boa história. E é o ápice de um grande diretor. Como dito na Zero Hora de hoje, se a Academia deixar de dar o Oscar a Tarantino amanhã à noite poderá cair no mesmo que cometeu com Scorcese: entregar um Oscar compensatório por um filme inferior do diretor muitos anos depois de seu melhor trabalho. Dar o Oscar à Bastardos Inglórios seria dar um tapa na cara da pressão da mídia em nome da qualidade e, de quebra, fazer o Oscar ganhar muito da credibilidade que perdeu ao longo dos anos. Não vai acontecer. Mas não custa torcer.
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sábado, 6 de março de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Tarantino
Vi um cara na rua com uma camiseta do filme Cães de Aluguel com a frase "Every dog has it's day". Fiquei pensando que, como os cães do título são os assaltantes contratados, faria mais sentido se eles tivessem o nome de raças de cachorro ao invés de cores. Casaria perfeitamente. Será que o Tarantino deixou passar essa? Pouca coisa teria que mudar. No máximo algumas falas.
CHEFE: - Muito bem: você vai ser o Mr. Husky, você o Mr. Schnauzer, você o Mr. Dobermann, você o Mr. Foxhound, você o Mr. Chiuaua e você o Mr. Poodle.
MR. POODLE: - Ei, eu não quero ser o Mr. Poodle!
MR. CHIUAUA: - Ei, você está reclamando? Eu sou o Mr. Chiuaua. É quase um Mr. Merda.
MR. POODLE: - Por que não podemos escolher nossos próprios nomes?
CHEFE: - Não dá certo. Se eu deixasse, vocês iriam ficar brigando para ver quem fica com o Mr. Pit Bull. Eu escolho. Você é o Mr. Poodle.
MR. POODLE: - Ao menos Mr. Yorkshire. Eu vou ser o Mr. Yorkshire.
CHEFE: - Não dá, já tem um cara em outra missão que é o Mr. Yorkshire. Você é o Mr. Poodle.
MR. FOXHOUND: - Cara, tanto faz qual é o seu nome.
MR. POODLE: - Ah, muito fácil pra você dizer, o seu nome é o mais legal, Mr. Foxhound!
***
Temos Tarantino. E com Tarantino, temos Pulp Fiction. E Kill Bill, e Cães de Aluguel, e mais recentemente Bastardos Inglórios. Mais ou menos nessa ordem. Mas ninguém se lembra de Jackie Brown. Ou, no máximo, lembram-no como o filme que tem o Robert de Niro interpretando um cara que fica sentado num sofá. Jackie Brown não tem cenas sangrentas como os outros filmes, nem, até onde eu me lembro, nenhum Impasse Mexicano, ou seja lá como chamam aquele negócio de todos os personagens se apontarem armas ao mesmo tempo. E justamente por isso deveria levar o crédito que não recebe. É uma tentativa de Tarantino fazer um filme de Tarantino sem ser Tarantino. E ele consegue, apesar de isso ser meio que um paradoxo. Jackie Brown não tem as características dos seus outros filmes, mas dá para sentir a ironia do diretor nas cenas, nos seus personagens. E é um bom filme. Eu gosto mais de Jackie Brown inclusive que muitos clássicos do diretor. Se você já viu e achou sem graça, dê mais uma chance, mas dessa vez sem esperar por um Pulp Fiction dois. Tarantino agradeceria.
Agora, Bastardos Inglórios é o filme. Me desculpem os fãs de Pulp Fiction, mas esta é a obra-prima do Quentin. É o mais engraçado, tem os melhores atores e é magistralmente dirigido. O final poderia ter sido feito por uma criança de 7 anos, é verdade, mas isso é natural do diretor. Quando se trata de cinema, Tarantino é uma criança deslumbrada, que se comporta como se estivesse num parque de diversões. No cinema, tudo é possível, até alterar a História. Quentin não vai se prender a regras como veracidade histórica, pois elas limitam a diversão, a dele e a nossa. Ele vai fazer o que achar mais divertido. E se isso quer dizer, por exemplo, matar metade do elenco em uma cena, ele o fará. O que não surpreende, pois todo mundo já espera que o elenco inteiro morra até o final do filme.
***
Faça o seu filme de Tarantino:
- Dê um jeito de conseguir o Samuel L. Jackson. Nem que seja a voz dele.
- Divida seu filme em capítulos.
- Armas.
- Certifique-se de que o sangue jorra em jatos.
- Armas apontando umas para as outras.
- Coloque referências à cultura pop. Não se preocupe: por mais obscura que ela seja, sempre haverá alguém na internet que a entenderá.
- Comédia violenta é como uma roleta: você deixa violento demais até deixar de ser engraçado, aí você deixa ainda mais violento que a roleta dá a volta completa e volta a ser engraçado de novo.
- Redija um diálogo sobre hambúrgueres, massagens ou algo que pareça sem sentido, mas que, a uma segunda análise, pareça inteligente. Com uma terceira análise, vê-se que na verdade não havia sentido, mesmo.
- Lembre-se: palavrões são seus amigos. Use vários.
- Se até as velhinhas no seu filme estão falando palavrões, é porque você está no caminho certo.
- Se palavrões são seus amigos, sangue é a sua amante. E ela gosta de ser abusada.
- J-rock e Nancy Sinatra combinam? Ah, combinam.
- Quanto mais obscura a trilha sonora, melhor. E se contiver referências pop, melhor ainda.
- Se, ao final do filme, mais de um quarto do elenco sobreviveu, você fez algo errado.
- Se o filme fizer sucesso, o seu próximo será um fracasso. Mas o depois deste será um sucesso.
***
Quentin inaugurou um novo gênero de cinema, uma espécie de "gore-comedy", filmes com diálogos beirando o cômico e o filosófico e uma violência ultrarealista, que de tão exagerada não tem como ser levada a sério. Quando se entende isso, não há como achar seus filmes pesados. É o que diferencia o mau gosto do humor negro. Se Tarantino fizesse as suas cenas com o intuito de causar repúdio ao espectador, seus filmes seriam de mau gosto, mas não é o caso. Ao contrário, eles não causam repúdio e sim fascinação, principalmente aos seus milhares de fãs. Longa vida a Tarantino.
CHEFE: - Muito bem: você vai ser o Mr. Husky, você o Mr. Schnauzer, você o Mr. Dobermann, você o Mr. Foxhound, você o Mr. Chiuaua e você o Mr. Poodle.
MR. POODLE: - Ei, eu não quero ser o Mr. Poodle!
MR. CHIUAUA: - Ei, você está reclamando? Eu sou o Mr. Chiuaua. É quase um Mr. Merda.
MR. POODLE: - Por que não podemos escolher nossos próprios nomes?
CHEFE: - Não dá certo. Se eu deixasse, vocês iriam ficar brigando para ver quem fica com o Mr. Pit Bull. Eu escolho. Você é o Mr. Poodle.
MR. POODLE: - Ao menos Mr. Yorkshire. Eu vou ser o Mr. Yorkshire.
CHEFE: - Não dá, já tem um cara em outra missão que é o Mr. Yorkshire. Você é o Mr. Poodle.
MR. FOXHOUND: - Cara, tanto faz qual é o seu nome.
MR. POODLE: - Ah, muito fácil pra você dizer, o seu nome é o mais legal, Mr. Foxhound!
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Temos Tarantino. E com Tarantino, temos Pulp Fiction. E Kill Bill, e Cães de Aluguel, e mais recentemente Bastardos Inglórios. Mais ou menos nessa ordem. Mas ninguém se lembra de Jackie Brown. Ou, no máximo, lembram-no como o filme que tem o Robert de Niro interpretando um cara que fica sentado num sofá. Jackie Brown não tem cenas sangrentas como os outros filmes, nem, até onde eu me lembro, nenhum Impasse Mexicano, ou seja lá como chamam aquele negócio de todos os personagens se apontarem armas ao mesmo tempo. E justamente por isso deveria levar o crédito que não recebe. É uma tentativa de Tarantino fazer um filme de Tarantino sem ser Tarantino. E ele consegue, apesar de isso ser meio que um paradoxo. Jackie Brown não tem as características dos seus outros filmes, mas dá para sentir a ironia do diretor nas cenas, nos seus personagens. E é um bom filme. Eu gosto mais de Jackie Brown inclusive que muitos clássicos do diretor. Se você já viu e achou sem graça, dê mais uma chance, mas dessa vez sem esperar por um Pulp Fiction dois. Tarantino agradeceria.
Agora, Bastardos Inglórios é o filme. Me desculpem os fãs de Pulp Fiction, mas esta é a obra-prima do Quentin. É o mais engraçado, tem os melhores atores e é magistralmente dirigido. O final poderia ter sido feito por uma criança de 7 anos, é verdade, mas isso é natural do diretor. Quando se trata de cinema, Tarantino é uma criança deslumbrada, que se comporta como se estivesse num parque de diversões. No cinema, tudo é possível, até alterar a História. Quentin não vai se prender a regras como veracidade histórica, pois elas limitam a diversão, a dele e a nossa. Ele vai fazer o que achar mais divertido. E se isso quer dizer, por exemplo, matar metade do elenco em uma cena, ele o fará. O que não surpreende, pois todo mundo já espera que o elenco inteiro morra até o final do filme.
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Faça o seu filme de Tarantino:
- Dê um jeito de conseguir o Samuel L. Jackson. Nem que seja a voz dele.
- Divida seu filme em capítulos.
- Armas.
- Certifique-se de que o sangue jorra em jatos.
- Armas apontando umas para as outras.
- Coloque referências à cultura pop. Não se preocupe: por mais obscura que ela seja, sempre haverá alguém na internet que a entenderá.
- Comédia violenta é como uma roleta: você deixa violento demais até deixar de ser engraçado, aí você deixa ainda mais violento que a roleta dá a volta completa e volta a ser engraçado de novo.
- Redija um diálogo sobre hambúrgueres, massagens ou algo que pareça sem sentido, mas que, a uma segunda análise, pareça inteligente. Com uma terceira análise, vê-se que na verdade não havia sentido, mesmo.
- Lembre-se: palavrões são seus amigos. Use vários.
- Se até as velhinhas no seu filme estão falando palavrões, é porque você está no caminho certo.
- Se palavrões são seus amigos, sangue é a sua amante. E ela gosta de ser abusada.
- J-rock e Nancy Sinatra combinam? Ah, combinam.
- Quanto mais obscura a trilha sonora, melhor. E se contiver referências pop, melhor ainda.
- Se, ao final do filme, mais de um quarto do elenco sobreviveu, você fez algo errado.
- Se o filme fizer sucesso, o seu próximo será um fracasso. Mas o depois deste será um sucesso.
***
Quentin inaugurou um novo gênero de cinema, uma espécie de "gore-comedy", filmes com diálogos beirando o cômico e o filosófico e uma violência ultrarealista, que de tão exagerada não tem como ser levada a sério. Quando se entende isso, não há como achar seus filmes pesados. É o que diferencia o mau gosto do humor negro. Se Tarantino fizesse as suas cenas com o intuito de causar repúdio ao espectador, seus filmes seriam de mau gosto, mas não é o caso. Ao contrário, eles não causam repúdio e sim fascinação, principalmente aos seus milhares de fãs. Longa vida a Tarantino.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sobre meninas e lobos (e vampiros)
Sim, eu admito, eu vi Lua Nova. Sem ter sido arrastado ao cinema por alguma mulher. Tem que ser muito macho para admitir que se viu Lua Nova sem a influência do sexo feminino. E tem que ser duas vezes mais macho para admitir que viu o filme duas vezes. Sim, eu vi o filme duas vezes. Aceitei ir de novo acompanhando uns amigos que ainda não o tinham visto. Amigos homens. Que não deixaram de ser homens por ver o filme. O meu interesse era puramente antropológico, diga-se de passagem. Queria ver qual é a dessa onda de Crepúsculo que está aí pela mídia. Sou um comunicador, afinal de contas. Trabalho puramente profissional, essas coisas.
Digo que é preciso ser macho para admitir isso porque trata-se claramente de um filme voltado para o público feminino. Mais especificamente, para garotas de seus 14 anos de idade. Como sei disso? O vampiro brilha na luz do sol. Ele não morre, não vira cinzas, ele brilha. Importante dizer que ele não é feio, também. Ele tem aquela beleza meio metrossexual com cara de vômito que faz sucesso hoje em dia. E há uma tribo de lobisomens bombados alérgicos a camisetas. Temos então o vampiro mais magrinho e maquiado e o lobisomem forte e musculoso. Tem pra todos os gostos.
Os dois arrastam asa para a mesma mulher, a tal da Bella, fazendo juras de amor eterno e desnudando seus torsos na frente dela. A colega de um amigo meu, e isso é verdade, disse que teve um orgasmo enquanto assistia ao filme. Um orgasmo. Não sei em que cena foi, mas suspeito que envolveu algum torso desnudo. Não ouvi mais histórias de orgasmos no cinema, mas de caras que levaram a namorada e tiveram que ouvir ela gemendo cada vez que os mocinhos apareciam em tela tem várias. Pobres namorados. Não bastasse serem obrigados a ver o filme, ainda têm que passar por isso.
***
Dá pra ver que a história é trabalho de uma mente feminina só olhando para os personagens. Não existem homens assim na vida real. O tal do vampirinho, o Edward, diz que ama a Bella, mas não pode chegar perto dela pois tem medo de não se controlar e sugar seu sangue. Tá, mulheres, desculpem, mas isso não existe. Como ele conseguiria aguentar um relacionamento onde é um sacrifício trocar uns beijinhos que sejam? Nenhum amor resiste a isso. Essa coisa de promessa de amor eterno também é difícil de engolir. Ainda mais amor eterno sem aproximação física.
É claro que esse Edward pode estar sendo um baita de um esperto. Sendo um imortal, ele não transforma a mocinha num vampiro justamente por não querer ficar pra sempre carregando aquela mala junto dele. Imagina, e quando ele enjoar? Uma eternidade demora um bocado. O que fazer? Melhor ficar enganando a mocinha, fazendo juras de amor eterno, sabendo que daqui a um século ela vai estar morta e ele ainda vai estar na flor da idade, pronto para enganar mais uma jovem inocente.
- Bella, eu te amo, eu poderia te amar pra sempre...
- É isso! Então me faça viver pra sempre! Me transforme numa vampira e viveremos juntos por toda a eternidade!
- Hm, ah, pois é... sei lá, acho que não é uma boa ideia... viver pra sempre não é tão legal assim...
- Ah é?!
- Ah, sim. Esperimente passar um século com a mesma dentição. Chega uma hora em que não há tratamento dentário que resolva.
- Puxa...
- Quem sabe a gente pensa nisso depois? Ano que vem... ou próxima década, talvez. Eu poderia te amar pra sempre, mas vamos com calma...
Quanto ao problema da falta de sexo... nada que umas saídas às escondidas não resolva.
***
A autora errou ao retratar os homens, mas com as mulheres ela acertou direitinho. A personagem do filme, ao ser abandonada pelo amor de sua vida, vai buscar consolo nos braços (musculosos) do lobisomem. O coitado fica todo esperançoso, pensando que vão ficar juntos, aí o vampiro volta e a mulher dá um pé na bunda do pobre lobinho. Típico.
Ela estava mal, se sentindo desprezada, aí ficou dando esperanças falsas para um cara que realmente gostava dela. Algumas mulheres, quando levam um pé na bunda, procuram alguém que lhes levante a autoestima novamente. Mas eles só servem pra isso: levantar a autoestima. E é sempre assim, elas ficam ao redor desses caras, se sentem bem de novo, prontas para acordar para a vida, aí bam: o cara que descartou elas dá mais uma chance e elas voltam correndo. E os homens que são jogados fora, como ficam os sentimentos deles?
Na boa, eu não tenho nada contra esses Crepúsculos, Lua Nova ou raio que o parta, mesmo, mas me preocupa a sua influência na mente das meninas de hoje em dia. Primeiro: elas vão correr atrás de um cara que não existe. Quanta decepção isso irá gerar na vida delas, quantos romances frustrados! Segundo: o mau exemplo com essa história do lobisomem. Sim, pois essas meninas se identificam com a personagem, e passam a agir como ela, inclusive copiando o seu comportamento. Tem uma fala no filme que a Bella diz algo como "não me faça escolher entre vocês dois, porque será ele". Referindo-se, é claro, ao vampiro purpurina. O quê? Depois de passar o filme inteiro se esfregando no lobinho, ela tem coragem de dizer isso, na cara dele? Essa aí, perdoem a sinceridade, não é nem um lobo nem um morcego, é uma vaca.
Digo que é preciso ser macho para admitir isso porque trata-se claramente de um filme voltado para o público feminino. Mais especificamente, para garotas de seus 14 anos de idade. Como sei disso? O vampiro brilha na luz do sol. Ele não morre, não vira cinzas, ele brilha. Importante dizer que ele não é feio, também. Ele tem aquela beleza meio metrossexual com cara de vômito que faz sucesso hoje em dia. E há uma tribo de lobisomens bombados alérgicos a camisetas. Temos então o vampiro mais magrinho e maquiado e o lobisomem forte e musculoso. Tem pra todos os gostos.
Os dois arrastam asa para a mesma mulher, a tal da Bella, fazendo juras de amor eterno e desnudando seus torsos na frente dela. A colega de um amigo meu, e isso é verdade, disse que teve um orgasmo enquanto assistia ao filme. Um orgasmo. Não sei em que cena foi, mas suspeito que envolveu algum torso desnudo. Não ouvi mais histórias de orgasmos no cinema, mas de caras que levaram a namorada e tiveram que ouvir ela gemendo cada vez que os mocinhos apareciam em tela tem várias. Pobres namorados. Não bastasse serem obrigados a ver o filme, ainda têm que passar por isso.
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Dá pra ver que a história é trabalho de uma mente feminina só olhando para os personagens. Não existem homens assim na vida real. O tal do vampirinho, o Edward, diz que ama a Bella, mas não pode chegar perto dela pois tem medo de não se controlar e sugar seu sangue. Tá, mulheres, desculpem, mas isso não existe. Como ele conseguiria aguentar um relacionamento onde é um sacrifício trocar uns beijinhos que sejam? Nenhum amor resiste a isso. Essa coisa de promessa de amor eterno também é difícil de engolir. Ainda mais amor eterno sem aproximação física.
É claro que esse Edward pode estar sendo um baita de um esperto. Sendo um imortal, ele não transforma a mocinha num vampiro justamente por não querer ficar pra sempre carregando aquela mala junto dele. Imagina, e quando ele enjoar? Uma eternidade demora um bocado. O que fazer? Melhor ficar enganando a mocinha, fazendo juras de amor eterno, sabendo que daqui a um século ela vai estar morta e ele ainda vai estar na flor da idade, pronto para enganar mais uma jovem inocente.
- Bella, eu te amo, eu poderia te amar pra sempre...
- É isso! Então me faça viver pra sempre! Me transforme numa vampira e viveremos juntos por toda a eternidade!
- Hm, ah, pois é... sei lá, acho que não é uma boa ideia... viver pra sempre não é tão legal assim...
- Ah é?!
- Ah, sim. Esperimente passar um século com a mesma dentição. Chega uma hora em que não há tratamento dentário que resolva.
- Puxa...
- Quem sabe a gente pensa nisso depois? Ano que vem... ou próxima década, talvez. Eu poderia te amar pra sempre, mas vamos com calma...
Quanto ao problema da falta de sexo... nada que umas saídas às escondidas não resolva.
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A autora errou ao retratar os homens, mas com as mulheres ela acertou direitinho. A personagem do filme, ao ser abandonada pelo amor de sua vida, vai buscar consolo nos braços (musculosos) do lobisomem. O coitado fica todo esperançoso, pensando que vão ficar juntos, aí o vampiro volta e a mulher dá um pé na bunda do pobre lobinho. Típico.
Ela estava mal, se sentindo desprezada, aí ficou dando esperanças falsas para um cara que realmente gostava dela. Algumas mulheres, quando levam um pé na bunda, procuram alguém que lhes levante a autoestima novamente. Mas eles só servem pra isso: levantar a autoestima. E é sempre assim, elas ficam ao redor desses caras, se sentem bem de novo, prontas para acordar para a vida, aí bam: o cara que descartou elas dá mais uma chance e elas voltam correndo. E os homens que são jogados fora, como ficam os sentimentos deles?
Na boa, eu não tenho nada contra esses Crepúsculos, Lua Nova ou raio que o parta, mesmo, mas me preocupa a sua influência na mente das meninas de hoje em dia. Primeiro: elas vão correr atrás de um cara que não existe. Quanta decepção isso irá gerar na vida delas, quantos romances frustrados! Segundo: o mau exemplo com essa história do lobisomem. Sim, pois essas meninas se identificam com a personagem, e passam a agir como ela, inclusive copiando o seu comportamento. Tem uma fala no filme que a Bella diz algo como "não me faça escolher entre vocês dois, porque será ele". Referindo-se, é claro, ao vampiro purpurina. O quê? Depois de passar o filme inteiro se esfregando no lobinho, ela tem coragem de dizer isso, na cara dele? Essa aí, perdoem a sinceridade, não é nem um lobo nem um morcego, é uma vaca.
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